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213 MILHÕES EM AÇÃO

Descrição do post.

Victor F. Campos

5/27/20263 min read

Na última segunda feira enquanto assistia a completa patuscada que foi a cerimônia de convocação do escrete brasileiro passei a elucubrar sobre o orgulho nacional. Esse sentimento que há muito vem escorregando do peito de muitos compatriotas costumava aflorar no período do campeonato mundial de seleções. Não é o que venho notando nesta edição. Por certo tal fato tem sua gênese em mazelas sociais sobejamente conhecidas e debatidas, dentre as quais destaco: crises institucionais entre os principais poderes da república, escândalos de corrupção cada vez maiores, aumento do custo de vida e diminuição do poder aquisitivo do brasileiro médio, enfim, problemas temos aos borbotões. Contudo, ainda assim, prego que o pessimismo não pode triunfar.

Cediço é que o orgulho pátrio traz ligação intrínseca com a satisfação que sentimos quando contemplamos um conacional executar feitos extraordinários nas searas esportivas ou intelectuais. Por certo, em momentos como esse, sentimos alegria genuína de ser ali representado, de vislumbrar o pavilhão nacional em posição de destaque em um pódio ou em um círculo acadêmico de renome. Outrossim, nos regozijamos quando aspectos culturais, históricos e geográficos de nossa nação são premiados e reconhecidos em território forâneo.

Todavia, ao meu sentir, assim como a nascente do rio Amazonas que se encontra incrustada em pedras milenares e escorre em pequenos filetes de água provenientes do degelo das cordilheiras andinas, a nascente do orgulho nacional não repousa no explicito, mas sim, no íntimo. Nas memórias valiosas passadas através de nossos ancestrais e insculpidas em recantos recônditos de nosso espirito que vem à tona quando ouvimos as primeiras notas do hino nacional. Nasce e pousa manso no interno do trabalhador contínuo que balança em um ônibus ás cinco da manhã e que faz a escolha diária por uma vida honesta sonhando com condições mais justas e um país melhor para sua prole. Esta enraizado nos operários, nos sertanejos, nos homens do pantanal, enfim, em cada um que de forma inabalável, seja por genuína esperança ou por não ter outra escolha, crê que dias melhores virão e que raios fulgidos voltarão a brilhar no céu da pátria.

Não podemos nos afastar desse sentimento, seja por amor ou por defesa, não é razoável anuir com essa horda de lorpas e apedeutas que vilipendiam e deblateram contra as cores nacionais. Que deliberadamente não perdem uma oportunidade de vociferar xingamentos ao solo brasileiro. Que ousam dedicar suas alegrias, esperanças, torcidas e intenções a outra bandeira. Esses pobres diabos que fazem pouco caso do orgulho nacional apenas pelo fato de as coisas não irem bem deveriam vagar por aí como apátridas, pois nossa maior marca é a insistência.

Sou um brasileiro inveterado, peço escusas pela minha veemência, caro leitor, nobre leitora, mas não possuo a capacidade e nem a desfaçatez de mitigar ou elevar meu sentimento de amor nacional a depender de quem governa o país, ou de quem é ou deixar de ser convocado para um campeonato ou outro. Se o fizesse, seria antes de tudo, um covarde e não considero merecer tal pecha. Compreendo que vez ou outra nossa paixão seja ferida, que por vezes nos achemos envergonhados diante do mundo por um ato ou outro, mas o sentimento de unidade, amor e orgulho que manteve e segue mantendo esse país de dimensões continentais unido por tanto tempo (diferente das centenas de separatistas europeus), não pode ser volátil.

Sigamos amando o Brasil e nos orgulhando, temos sim inúmeras razões para isso, embora às vezes o cinismo e a ideologia não nos permitam perceber. Aproveitemos uma vez mais o campeonato mundial para torcer pelos atletas que personificam nossos desígnios . O Brasil precisa de todos nós, unidos! Como muito bem escreveu o compositor, poeta e jornalista Miguel Gustavo em 1970: “ De repente é aquela corrente para a frente, parece que todo o Brasil deu a mão. ”

Que possamos dar ás mãos mais uma vez.

Ps.1: Semana passada prometi ser pontual, não fui.

Ps.2: Haverão pascácios que irão politizar essa crônica. A fábrica de idiotas não fecha nunca. Até!

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